Em 2010, Fraser Campbell e Steve Milne, peritos da área renal, descobriram que se pode reduzir a pegada ecológica – a emissão de dióxido de carbono - em cerca de 20%, ao adicionar recuperadores de calor às velhas máquinas de diálise Dialog+. Um projecto de crowdfunding, com vista a inspirar a mudança no serviço nacional de saúde britânico, quer espalhar a ideia de que a resposta às pergunta do título da notícia é afirmativa.
A técnica descoberta pelos dois peritos interessou o mercado de equipamentos e produtos de saúde. O grupo B. Braun – presente em Portugal desde 1984 – começou a construir todos os novos equipamentos com recuperadores de calor pré-instalados, modernizando as máquinas antigas.
Projecto de eficiência energética nas unidades de diálise espalha-se pela Inglaterra
Na sequência desta novidade, o Center for Sustainable Health lançou o projecto “Pitch Pledge Party” na Internet – numa plataforma de angariação de fundos – a 10 de Outubro de 2011. O objectivo deste programa era “instalar recuperadores de calor em 1000 máquinas de diálise em todo o país”, ajudando e encorajando as organizações do serviço nacional de saúde inglês a reduzir o consumo de energia em cerca de 20% e a poupar perto de 300 toneladas de carbono por ano.
Nove meses depois, Francis Mortimer, do Center for Sustainable Health, faz o balanço do projecto: apesar do projecto estar a ser “um sucesso gigante para a redução do carbono”,
dentro do Serviço Nacional de Saúde britânico ainda há centenas de máquinas de diálise antigas a funcionar sem recuperador de calor.
Depois de identificar e contactar as unidades de diálise que compraram as novas máquinas e de perceberem que recuperadores de calor foram instalados, o Center for Sustainable Health encontrou entre 350 e 500 máquinas em funcionamento sem recuperadores de calor no serviço nacional de saúde, espalhadas por oito serviços renais. “Muitos serviços têm agora recuperadores de calor em todas as máquinas, enquanto outros estão a planear incorporar recuperadores nas velhas máquinas nos próximos dois anos”, lembra Mortimer.
A maior barreira à modernização dos equipamentos tem sido de ordem económica, devido à forma como os orçamentos são distribuídos dentro do sistema nacional de saúde. “Em muitos casos o custo capital da actualização provém do orçamento para o equipamento renal, enquanto as poupanças da redução energética revertem a favor do departamento (the estates department)”, afirma Francis Mortimer.
O papel do Center for Sustainable Health tem sido, segundo Mortimer, “encorajar também as pessoas dos ‘estates’ em trusts relevantes a trabalhar em conjunto com o departamento renal para conseguir financiamento”. A poupança de água tem sido outro dos projectos desenvolvidos na sequência da cooperação entre os departamentos renais e os estates.
O que se segue? O Center for Sustainable Health diz que nos próximos três meses – até ao projecto perfazer um ano – continuará a “encorajar e apoiar as quatro unidades de diálise que estão a tentar obter financiamentos para investimentos através das suas trust” e a “estabelecer contactos com os fornecedores para negociar custos de instalação mais acessíveis”. O maior desafio: convencer os últimos dois serviços que ainda não reconheceram “o potencial de poupança de carbono e de dinheiro”.
Imagem: Wikimedia Commons
Atenção: este é um espaço público e moderado. Não forneça os seus dados pessoais (como telefone ou morada) nem utilize linguagem imprópria.
Onde quer que você esteja no mundo, não hesite em enviar seus vídeos, imagens, e histórias para o Portal da Diálise.
Todo e qualquer conteúdo apresentado nas páginas do website www.portaldadialise.com tem caráter estritamente informativo e educacional, e de nenhuma maneira substitui as informações ou apreciações de profissionais de saúde e especialistas das respectivas áreas de interesse aqui apresentadas, incluindo médicos, enfermeiros, psicólogos, educadores e nutricionistas.


















© 2013 Portal da Diálise - Todos os direitos reservados