Os exames de sangue que evidenciem anticorpos particulares podem diagnosticar com precisão a nefropatia membranosa, uma doença autoimune. Os pacientes com elevados níveis destes anticorpos tendem a ter uma doença mais severa, enquanto aqueles que registam níveis baixos geralmente experienciam a remissão.
Cada ano, a nível mundial, cerca de 50.000 pessoas acusam o diagnóstico da nefropatia, de acordo com um estudo publicado no passado dia 6 de Setembro no Journal of the American Society of Nephrology.
Estes testes podem vir a auxiliar os médicos a decidir a que pacientes com esta doença podem receitar medicamentos potencialmente tóxicos e quais devem seguir pela via do tratamento. Mas há ainda um longo caminho a fazer: "Não é claro quem deva ser tratado, quando é que o tratamento deve começar e por quanto tempo se deve estender o tratamento. Precisamos de melhores ferramentas para auxiliar na tomada de decisão", afirmou Julia Hofstra, doutorada no Radboud University Nijmegen Medical Center, na Holanda.
A nefropatia membranosa é uma doença relacionada com a falência do rim, que atinge pelo menos metade dos pacientes sem tratamento. A terapia imunossupressora é eficaz, mas tóxica, lembra o estudo.
Os investigadores identificaram recentemente os anticorpos que danificam os rins quando a doença se desenvolve. Atualmente, os médicos não têm uma técnica-padrão para medir os anticorpos nem sabem que níveis de anticorpos permitem o acesso a informação sobre a gravidade da doença.
Julia Hofstra, em colaboração com investigadores do Institut National de la Santé et de la Recherche Médicale, em França, e da Universidade de Manchester, no Reino Unido, compararam dois exames de sangue diferentes (o IIFT e o ELISA) para medir os anticorpos em 117 pacientes com nefropatia membranosa.
Entre os principais resultados, o estudo assinala uma concordância "excelente" entre ambos os testes, na ordem dos 94%. Descobriu-se que os níveis de anticorpos estão correlacionados “significativamente” com a gravidade da doença dos pacientes. Os exames IIFT detetaram 74% dos pacientes com anticorpos e os testes ELISA 72% casos positivos. As remissões espontâneas ocorreram muito menos entre os pacientes com altos níveis de anticorpos (38% contra 4%, nos grupos dos baixos e dos altos níveis, respetivamente).
"Os dados alimentam-nos a esperança de que, num futuro próximo, estes anticorpos possam ser detetados com um simples exame e medir os níveis de anticorpos devem otimizar o tratamento nos pacientes com nefropatia membranosa", concluiu Hofstra.
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