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Publicado no ano passado, por Portal da Diálise
Nova técnica que reduz complicações da hemodiálise a caminho?

As complicações derivadas da hemodiálise – especialmente relacionadas com as alterações no fluxo sanguíneo – atingem cerca de 50% dos pacientes que recorrem a esta técnica. De acordo com a Universidade de Tecnologia de Eindoven, o investigador Maarten Merkx desenvolveu recentemente um sistema que regista “automaticamente” imagens dos vasos sanguíneos do braço e estima a taxa de fluxo de sangue na fístula arteriovenosa. A margem de erro é de 3%, afirma Merkx, que espera que, daqui a cinco anos, esta técnica esteja generalizada.

 

Aproximadamente dois milhões de pessoas em todo o mundo submetem-se regularmente à hemodiálise como resultado da falência renal. Através deste método, a que está subjacente a criação de uma fístula arteriovenosa no braço do paciente [que faz a ligação entre a artéria e a veia], é realizada a limpeza do sangue, fora do corpo.

 

No passado dia 3 de Dezembro, o investigador holandês defendeu, no âmbito do seu PhD, uma nova técnica, desenvolvida na Universidade de Eindhoven, com vista a reduzir de forma “significativa” os problemas resultantes da hemodiálise. Segundo a própria instituição de ensino e investigação, este novo método facilitará o trabalho dos médicos na procura da “melhor estratégia cirúrgica para introduzir a fístula no braço do paciente com o mínimo de hipóteses de complicações”.

 

Depois da apresentação da tese ‘Application of image-based computational modeling to vascular access surgery’, o próximo passo é um teste clínico que irá abranger um vasto grupo de insuficientes renais de modo a desenvolver melhor esta técnica.

 

Em busca da “precisão” | Da ecografia à ressonância magnética


Actualmente, os médicos podem escolher o local para introduzir a fístula, a partir de imagens obtidas através de uma ecografia do braço do paciente – um processo semelhante ao da ecografia durante a gravidez. A localização varia de pessoa para pessoa, consoante as características específicas do fluxo sanguíneo de cada dialisado.

 

Neste momento, o diâmetro dos vasos sanguíneos é medido manualmente, a partir da informação inscrita nas imagens, mas este não é um método “muito preciso”, alega o investigador. Não é fácil, através desta via, de “prever o fluxo sanguíneo” presente na fístula. Se o fluxo for demasiado alto, pode ocorrer uma falência do coração ou uma circulação de sangue “insuficiente” na mão. Se a taxa de fluxo for demasiado baixa, o processo de diálise poder-se-á tornar-se ineficaz ou poderá trazer consigo outros problemas.

 

A técnica desenvolvida por Merkx e pelos colegas investigadores do Medical University Centre de Maastricht e de outros institutos pretende tornar a previsão de fluxo de sangue “mais exacta” para reduzir estes problemas.

 

Este novo sistema calcula automaticamente o fluxo do sangue nos vasos sanguíneos do braço, através de uma ressonância magnética. As imagens são convertidas, depois, numa “espécie de ‘diagrama em rede’ do sistema de vasos sanguíneos no braço”. A partir daqui, os médicos podem ver a taxa de fluxo calculada em qualquer ponto da rede, o que permite a localização do melhor local para inserir a fístula. Uma questão relevante, neste processo, é a escolha do braço ou do antebraço.

 

De acordo com a investigação, este sistema permite alcançar uma “determinação automática do diâmetro dos vasos” e provou ser “muito mais preciso do que método manual”. A margem de erro é de 3%, contra os 20% do actual método manual. Apesar do recurso da ressonância magnética ser “relativamente custoso”, Maarten Merkx acredita que esta técnica conduzirá a uma redução de custos dos cuidados de saúde, porque o número de complicações também irá decrescer.

 

Fonte: news-medical.net

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