Nefrologia

 

A Púrpura de Henoch-Schönlein (PHS) é uma doença que provoca inflamação dos vasos sanguíneos de pequeno calibre (capilares), vasculite. Os vasos sanguíneos inflamados sangram para o interior da pele causando uma erupção vermelha escura ou roxa chamada púrpura. Afeta mais frequentemente os capilares da pele, articulações, intestinos e rins.

 

É uma doença pouco frequente, pode surgir em qualquer idade, mas 80% dos casos ocorrem em crianças do sexo masculino com menos de 10 anos de idade. Resolve-se em poucas semanas e raramente surge no verão. Quando é diagnosticada na idade adulta a sintomatologia é mais severa e duradoura.

 

Não tem causa direta conhecida mas julga-se estar associada a agentes infeciosos como vírus e bactérias, pois surge frequentemente após infeções respiratórias. Pode também associar-se á toma de medicamentos, picadas de insetos, exposição ao frio, exposição a toxinas químicas ou após o consumo de alergénios alimentares específicos.

 

Sintomas

Inicialmente manifesta-se por uma pequena urticária, pequenas manchas ou edemas vermelhos que se transformam numa erupção cutânea característica (erupção vermelha escura ou roxa - púrpura), indolor e que não causa comichão. Estas lesões podem sentir-se á palpação- púrpura palpável e são mais frequentes nas nádegas, pernas e pés.

Em crianças observa-se frequentemente edema das mãos, pés, testa e escroto.

A nível das articulações dos joelhos e tornozelos surge dor (artralgias), edema e dificuldades na mobilidade (artrite).

Pode surgir dor abdominal, devido à inflamação dos vasos sanguíneos, intermitente na região do umbigo que em casos mais graves pode evoluir para hemorragia gastrointestinal moderada ou grave, observando-se presença de sangue nas fezes.

Estes sintomas normalmente desaparecem ao fim de um mês.

No entanto podem surgir complicações a nível renal, após as manifestações cutâneas, devido á inflamação a nível dos capilares que irrigam os rins observando-se perda de sangue (hematúria) e proteínas (proteinúria) na urina. A vigilância é imprescindível, pois apesar de esta sintomatologia desaparecer ao fim de algum tempo, quando a doença surge em adultos a probabilidade de desenvolver problemas renais é maior. Pode levar anos a evoluir e só 5% dos casos evolui para insuficiência renal.

 

Critérios de diagnóstico

  • Púrpura palpável (obrigatório)

  • Dor abdominal não localizada

  • Artrite ou artralgia

  • Alterações renais (hematúria e/ou proteinúria)

  • Biopsia com vasculite leucocitoclástica com depósito predominante de IgA (anticorpo) ou glomerulonefrite proliferativa com depósito predominante de IgA

 

Exames complementares de diagnóstico que podem ajudar ao diagnóstico de PHS

  • Análises sanguíneas: hemograma (anemia, plaquetas normais ou elevadas), sedimento urinário (hematúria, proteinúria), função renal (ureia e creatinina).

  • TAC abdominal (pode mostrar espessamento da parede abdominal, hematoma, invaginação do intestino).

  • TAC escrotal (pode mostrar edema subcutâneo- hidrocelo ou torção testicular).

  • Endoscopia (pode mostrar eritema da mucosa ou ulcerações).

  • Biópsia renal: indicada em casos de Síndrome Nefrótico pois ocorre diminuição progressiva da taxa de filtração glomerular, e de Síndrome Nefrítico que apresentem hematúria macroscópica, hipertensão, edemas e alterações da função renal persistentes.

 

Na maior parte dos casos o tratamento passa pela vigilância médica, alívio da sintomatologia e uma boa hidratação e nutrição. Quando identificados os possíveis fatores desencadeantes da doença devem ser evitados.

 

A vigilância da função renal é fundamental devido á possibilidade do seu comprometimento. Aquando do diagnóstico de PHS deve ser encaminhado para a consulta de Nefrologia, onde além da avaliação da sintomatologia é feito o controlo da tensão arterial, e a vigilância das análises clinicas relativas ao sedimento urinário e á função renal.

 

Não é uma doença hereditária, não é contagiosa e não pode ser prevenida.

Referências Bibliográficas:

[1]. SANTOS, Mª; Fraga, M. M.; BARBOSA, C. M. – Púrpura de Henoch-Schönlein – Sociedade de Pediatria de São Paulo, 2013-2016.

[2]. Johns Hopkins Vasculitis Center. (2018). Johns Hopkins Vasculitis Center. [online] Available at: https://www.hopkinsvasculitis.org/ [Accessed 26 Jun. 2018].

[3]. Printo.it. (2018). PRINTO - Paediatric Rheumatology INternational Trials Organization. [online] Available at: https://www.printo.it [Accessed 26 Jun. 2018].

Publicado: Rita | 2018-06-26 17:35 Última atualização: 2018-06-26 18:05:20 Fonte: Tags : Hematúria, Insuficiência Renal, Nefrologia, Vasculite
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Rita Santos

 Enfermeira no Serviço de Nefrologia / Diálise Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra – Polo HG

 Um novo rim pode não ser algo definitivo mas, enquanto prevalecer, deve ser estimado, conservado. Prevenir é e sempre será o maior cuidado de todos. Desta forma, deve-se agir  sempre com cautela e rigor para que o retrocesso para um programa de diálise esteja fora do horizonte.

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