Transplante

O transplante renal fará com que se sinta melhor, deixe de depender da Diálise Peritoneal ou Hemodiálise, e volte a fazer coisas que anteriormente não conseguia. Após o transplante existe uma série de medicamentos que deve tomar para que o novo rim não seja rejeitado, medicamentos imunossupressores. A medicação imunossupressora pós transplante é necessária para proteger o novo órgão de ser rejeitado pelo sistema imunitário.

 

O sistema imunitário serve para defender o nosso corpo de infeções e doenças. Além de combater bactérias e vírus também detecta corpos estranhos (por ex.: um espinho de uma rosa ou um órgão transplantado). Como não consegue diferenciar o que é bom e o que é mau provoca uma reacção inflamatória para eliminar o corpo estranho. Só se consegue evitar esta reacção através da toma dos medicamentos imunossupressores, pois eles diminuem/suprimem o sistema imunitário e assim evitam a rejeição do órgão transplantado.

 

Tome nota:

  • Cabe à equipa de transplante definir a dose necessária para cada transplantado, sendo que inicialmente a dose será mais elevada e diminuirá com o passar do tempo, até uma dose mínima que terá de tomar enquanto o órgão transplantado estiver funcionante.

  • É fundamental que cuide dele! Para isso é importante tomar a medicação diariamente e à hora certa, de modo a manter os níveis do medicamento no sangue estáveis para proteger o novo órgão e atenuar possíveis efeitos secundários. Deixar de tomar um medicamento ou alterar a dose pode prejudicá-lo.

  • Se esquecer de uma toma da medicação não deve tomá-la a dobrar, mas sim acertar a toma no horário seguinte. Se o esquecimento é frequente deve contatar a equipa de transplante para saber o que fazer, pois o órgão transplantado pode ficar afetado.

  • Deve seguir sempre as indicações da equipa de transplante e nunca substituir a medicação que toma sem consentimento/aconselhamento da mesma. Poderá ser necessário tomar outros medicamentos para reduzir os efeitos secundários dos imunossupressores, tais como infecções, hipertensão, diabetes…

  • Aquando da alta ser-lhe-á fornecido um guia com toda a medicação a tomar e os respetivos horários, sempre que tiver um problema de saúde e for ao hospital deve levá-la consigo. Se lhe forem prescritos outros medicamentos deve questionar para que servem, como tomar, durante quanto tempo, quais os possíveis efeitos secundários e se interferem com a sua medicação habitual.

  • Não se esqueça que todos os meses tem de ir á farmácia do hospital buscar a medicação ali fornecida.

  • As consultas pós transplante são fundamentais para verificar o funcionamento do órgão transplantado, verificar os níveis de imunossupressores no sangue (através de análises ao sangue), e discutir efeitos secundários indesejáveis.

  • Não deve substituir os medicamentos habituais por genéricos sem consultar a equipa de transplante pois podem não ter o mesmo efeito. Também não deve comprar medicamentos sem receita médica ou em ervanárias sem antes questionar o médico pois podem interagir com a medicação imunossupressora. Por exemplo: não deve tomar medicamentos que contenham ibuprofeno (principio ativo), juntamente com o Tacrolimus ou a Ciclosporina.

  • Deve conhecer os possíveis efeitos secundários dos medicamentos que toma e contactar a equipa de transplante se estes persistirem, por ex.: vómitos.

  • Tenha os medicamentos num local visível e de fácil acesso para que não se esqueça de os tomar, ou então programe um alarme no telemóvel para o lembrar. Mantenha-os fora do alcance das crianças.

  • Quando vai às consultas de rotina leve sempre o seu guia de medicação e registe junto do médico todas as alterações.

  • Se tenciona viajar, certifique-se de que leva a medicação necessária e leve-a junto a si numa mala de mão. Caso o fuso horário seja diferente ajuste os horários. Evite a exposição solar intensa e proteja-se com o fator solar mais elevado.

  • Pode ser necessário tomar a medicação imunossupressora durante toda a “vida” do órgão transplantado e mesmo após a sua falência para evitar complicações.

 

Após a realização do transplante, a pessoa vai ser sujeita a acontecimentos positivos e negativos, com expectativas, sentimentos ambíguos, incertezas e até mesmo frustrações, principalmente nos casos da perda do rim transplantado. Há estudos que indicam que os sintomas depressivos são frequentes. 

 

Os medicamentos imunossupressores mais frequentes e os principais efeitos secundários associados á sua toma.

Os imunossupressores podem ser divididos em quatro categorias conforme o seu modo de acção:

  • Inibidores da calcineurina (Tacrolimus, Ciclosporina).

  • Corticosteróides (Prednisolona).

  • Antimetabolitos (Micofenolato de Mofetil, Azatioprina).

  • Alvos dos inibidores da rapamicina (Sirolimus).

 

 

Em todas as doenças crónicas a adesão à terapêutica adquire particular importância uma vez que é através dela que se vai prevenir agudizações.

 

 

TACROLÍMUS (0,5mg, 1mg, 5mg)

O tacrolímus é utilizado para prevenir ou tratar a rejeição do novo órgão e frequentemente é tomado em conjunto com outros imunossupressores.

 

A dose a tomar varia de pessoa para pessoa e a equipa de transplante decide de acordo com as análises ao sangue e os possíveis efeitos secundários deste medicamento. Normalmente é tomado duas vezes por dia com 12 horas de intervalo com o intuito de manter os níveis no sangue, diminuir o risco de rejeição e os possíveis efeitos secundários.

 

Se tem consulta e vai fazer análises não deve tomar a medicação e, se possível, dar um intervalo entre a última toma e as analises, de 12 horas para assim se obter o valor mínimo no sangue.

 

O Tacrolímus pode interagir com alguns medicamentos de uso comum, por isso não tome nenhum medicamento sem conhecimento da equipa de transplante.

 

A laranja e o sumo de laranja devem ser evitados pois podem alterar o modo de absorção do tacrolímus pelo corpo. As comidas ricas em gorduras também podem alterar os níveis de medicamento no sangue.

 

ATENÇÃO!

A erva de São João/Hipericão interfere com os níveis deste medicamento no sangue.

 

Os principais efeitos secundários são:

  • Aumento do risco de infecção;

  • função renal anormal; 

  • dor de cabeça, formigueiro nas mãos e pés, convulsões;

  • náusea, diarreia e perda de apetite;

  • níveis de açúcar e colesterol elevados no sangue;

  • dificuldade em dormir.

 

 

CICLOSPORINA (25mg, 100mg)

É utilizada na prevenção da rejeição do órgão transplantado. Pode ser tomada em conjunto com outros imunossupressores.

 

A dose a tomar varia de pessoa para pessoa de acordo com as análises ao sangue e os possíveis efeitos secundários deste medicamento. Normalmente é tomado duas vezes por dia com 12 horas de intervalo com o intuito de manter os níveis no sangue, diminuir o risco de rejeição e os possíveis efeitos secundários.

 

Quando tem consulta e vai fazer análises não deve tomar a medicação e, se possível dar um intervalo entre a última toma e as analises seja de 12 horas para assim obtermos o valor mínimo no sangue.

 

A Ciclosporina pode interagir com alguns medicamentos de uso comum, por isso não tome nenhum medicamento sem conhecimento da equipa de transplante.

 

A laranja e o sumo de laranja devem ser evitados pois podem alterar o modo de absorção da ciclosporina pelo corpo.

 

 

ATENÇÃO!

A erva de São João/Hipericão interfere com os níveis deste medicamento no sangue.

 

Os seus principais efeitos secundários são:

  • aumento do risco de infecção;

  • função renal anormal;

  • dor de cabeça, tremores nas mãos, convulsões;

  • tensão arterial elevada,;

  • edemas;

  • aumento do crescimento do cabelo e escurecimento e engrossamento do mesmo;

  • crescimento excessivo das gengivas;

  • gota (ácido úrico elevado);

  • níveis de açúcar, colesterol e triglicerídeos elevados no sangue;

  • dificuldade em dormir.

 

 

PREDNISOLONA (1mg, 2.5mg, 5mg, 10mg, 20mg)

É um corticosteroide que ajuda a prevenir e a tratar a rejeição de um órgão transplantado. Normalmente inicia-se com uma dose mais elevada e vai diminuindo até um valor mínimo necessário para prevenir a rejeição. Usualmente é feita uma toma única/dia.

 

Nunca deixe de a tomar de repente, é necessário fazer o desmame de acordo com as indicações da equipa de transplante.

 

Deve ser tomado após a ingestão de alimentos para evitar irritação da mucosa do estômago, e por vezes é associada a toma de um protector gástrico. Se sentir dor de estômago ou observar as fezes com cor escura, deve informar na consulta de transplante.

 

Podem surgir alterações no estado de ânimo, variáveis entre alegria e cheio de energia, e enjoado e irritado. Caso não consiga lidar com esta situação deve falar com os seus familiares e se necessário falar com a equipa de transplante.

 

Os principais efeitos secundários são:

  • aumento do risco de infecção;

  • aumento de peso (por retenção de líquidos ou aumento do apetite);

  • debilidade muscular;

  • úlceras no estômago;

  • acne;

  • alterações do humor;

  • ansiedade;

  • dificuldade na cicatrização de feridas;

  • aumento do crescimento do cabelo;

  • alterações na aparência (rosto mais arredondado e acumulação de nódulos de gordura entre as omoplatas);

  • níveis de açúcar, colesterol elevados no sangue;

  • perda de massa óssea;

  • cataratas, glaucoma.

 

 

MICOFENOLATO DE MOFETIL (250mg, 500mg)

É utilizado para prevenir a rejeição do órgão transplantado. Habitualmente é tomado duas vezes por dia mas pode ser necessário mais tomas para reduzir efeitos secundários a nível do estômago. O controlo da dose é feito através de análises ao sangue.

 

Efeitos secundários mais frequentes:

  • náuseas, vómitos e diarreia;

  • hemorragia gastrointestinal (presença de sangue nas fezes);

  • diminuição dos glóbulos brancos e plaquetas (o que aumenta o risco de infecção e de hemorragia);

  • diminuição do efeito da pílula;

  • em caso de gravidez pode provocar danos no feto. Não desfazer o comprimido, pois o seu conteúdo não deve contatar com a pele (lavar com água e sabão) e olhos (lavar com água corrente).

 

 

AZATRIOPINA (50mg)

Em conjunto com outros medicamentos ajuda a prevenir a rejeição. Usualmente é tomada uma vez por dia e à refeição para evitar mal-estar gástrico. O seu efeito é avaliado através de análises ao sangue.

 

Não deve ser associado ao alopurinol (medicamento para o ácido úrico).

 

Principais efeitos secundários:

  • náuseas e vómitos;

  • diminuição dos glóbulos brancos e plaquetas (o que aumenta o risco de infecção e de hemorragia).

 

 

SIROLIMUS (1mg, 2mg)

Ajuda a prevenir a rejeição e é receitado logo após o transplante devido ao risco de afecção da cicatrização de feridas junto á incisão cirúrgica. Pode ser tomado uma ou duas vezes por dia e deve tomar-se 4 horas antes ou depois dos restantes imunossupressores. O seu efeito é controlado através de análises ao sangue.

 

Contate a equipa de transplante se a urina for escura, a pele amarelada e as fezes muito claras pois pode indicar alterações a nível do fígado.

 

Principais efeitos secundários:

  • dificuldade de cicatrização de feridas;

  • pressão arterial alta;

  • colesterol e triglicéridos altos;

  • erupções na pele e acne;

  • edemas dos membros inferiores;

  • aumento de peso;

  • anemia;

  • diarreia;

  • dores musculares;

  • aumento do risco de infecção e de neoplasias malignas.

 

O transplante não é uma cura mas antes, um tratamento. Não é uma meta, faz parte do percurso.  Um novo rim pode não ser algo definitivo mas, enquanto prevalecer, deve ser estimado, conservado. Prevenir é e sempre será o maior cuidado de todos. 

 

Os acertos de medicação podem nunca ficar totalmente estabilizados: o ideal é que estejam o mais ajustados possível. Regra geral e imperiosa que nunca tomem medicação que não seja prescrita pela sua equipa de saúde.

Referências Bibliográficas:[1]. Making Your Transplant Medicines Work for You After Organ Transplant, http://www.itns.org
Publicado: Rita | 2018-01-16 17:18 Última atualização: 2018-01-29 07:55:44 Fonte: Tags : Medicação, Transplante
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Rita Santos

 Enfermeira no Serviço de Nefrologia / Diálise Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra – Polo HG

 Um novo rim pode não ser algo definitivo mas, enquanto prevalecer, deve ser estimado, conservado. Prevenir é e sempre será o maior cuidado de todos. Desta forma, deve-se agir  sempre com cautela e rigor para que o retrocesso para um programa de diálise esteja fora do horizonte.

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