O que é um transplante renal

transplante renal

É um tratamento para pessoas com insuficiência renal crónica, que consiste na realização de uma cirurgia na qual um rim saudável de um doador é colocado na pessoa (recetor) com insuficiência renal crónica. O transplante é um tratamento, não é  uma cura!

A transplantação renal é, na maior parte das vezes, aplicada em doentes que já se encontram em programa de diálise, embora seja possível efetuá-la antes de iniciar tratamento dialítico.

As grandes vantagens que a transplantação renal apresenta em relação às técnicas dialíticas resultam de o rim transplantado  ser um órgão vivo que possui todas as funções que lhe são próprias. Para além de, por meios naturais, regular o metabolismo de diversas substâncias (água, sódio, potássio, etc.) e de eliminar outras que são tóxicas, também produz hormonas que regulam funções muito importantes, designadamente, entre outras, as que promovem a formação dos glóbulos vermelhos do sangue e as que regulam regeneração dos ossos. Por isso, e por permitir que o doente se liberte de algumas das restrições impostas pela diálise, a transplantação renal é a modalidade terapêutica que faculta uma melhor qualidade de vida e uma maior esperança de vida.

 

Quem pode receber um transplante de rim?

Nem todos os doentes renais são candidatos aptos para transplante renal. Existem certas condições clínicas que não permitem a realização de um transplante. A equipa de cuidados de saúde avaliará o seu estado clínico para transplante.(Todos as pessoas em diálise são avaliados pelos médicos nefrologistas que informam sobre a possibilidade de integrar ou não a lista de transplante.)


O tempo de espera para um transplante varia. Não existem dadores renais cadáveres suficientes para todas as pessoas que necessitam de um transplante renal, por isso podem ficar em lista de espera, durante algum tempo.

Antes do transplante, são realizados testes especiais ao sangue para determinar a compatibilidade do rim. Mesmo que tenha um parente que lhe deseje doar um rim, o rim pode não ser compatível. Apesar da hipótese ser baixa. É possível  haver rejeição de um rim compatível.

 

QUEM PODE SER DADOR - Existem dois tipos de dadores:

Dador vivo – deve ser maior de idade, manifestar espontaneamente sua vontade de doar, ter compatibilidade sanguínea e imunológica com o recetor, ter boas condições de saúde.

Dador Cadáver – pessoa em morte cerebral, sem graves doenças transmissíveis, com compatibilidade com o recetor, desde que não esteja inscrito no RENNDA.

Atualmente, as taxas de sucesso são elevadas. Como muitos doentes não têm um dador vivo compatível, a maioria de candidatos a transplante é inscrita na lista de espera nacional, para um rim de dador cadáver.

 

 

O que se deve fazer para ser transplantado?

Todos os doentes interessados no transplante deve inscrever-se num Centro de Transplante Renal, podendo o faze-lo simultaneamente em mais de um Centro (Os Centros de Histocompatibilidade do Norte, do Centro e do Sul estão integrados nas Administrações Regionais de Saúde, IP do Norte, Centro e Lisboa e Vale do Tejo, respectivamente. Articulam-se funcionalmente a nível nacional, mantendo, para o efeito, a designação comum de Lusotransplante). Implica marcar uma consulta de pré-transplante renal, e depois seguir os procedimentos indicados pelo Serviço responsável pela consulta, que podem variar de Centro para Centro. Os doentes são avaliadas quanto ao seu estado geral de saúde, quanto à situação dos seus rins, bexiga, coração, fígado e capacidade de suportar cirurgia. Nas consultas de pré-transplante,será explicado as vantagens e desvantagens do transplante e das suas possíveis complicações, a seguir o doente renal dá o seu consentimento por escrito para ser transplantado. Depois irá tirar sangue ao Centro de Histocompatibilidade da Região, se tudo estiver bem, entra na chamada Lista Ativa para Transplante Renal, e pode ser chamada para transplante a qualquer altura. Em média os doentes em lista ativa  para transplante renal são transplantados em  3-5 anos. 

 

Centro de Histocompatibilidade do Norte 
Rua Dr. Roberto Frias - Pav. "Maria Fernanda"
4200-465 PORTO
Telefone: 225573470
Fax: 225501101  
E-mailadminist@chn.pt  

Centro de Histocompatibilidade do Centro 
Praceta Prof. Mota Pinto, Edif. S. Jerónimo, 4.º piso
Apartado 9041 
3001-301 COIMBRA 
Telefone: 239480700
Fax: 239480790  
E-mailgeral@histocentro.min-saude.pt
URL: http://www.histocentro.min-saude.pt

Centro de Histocompatibilidade do Sul 
Alameda das Linhas de Torres, n.º 117 
1769-001 LISBOA 
Telefone: 217504100  
Fax: 217504101
E-maillusotransplante@chsul.pt
URL: http://www.chsul.pt/

 

Sabia que....

A escolha do par dador-recepto para tranplantação renal a partir de orgãos de dadores cadáver é feita por processo informático, seguindo um algoritmo legal definido. 

Este é um processo que decorre da referenciação de um dador cadáver que é feita pelos gabinetes de coordenação (ASST). Tem então início um processo em que o dador é estudado para a detecção de marcadores virais e nas suas características imunogenéticas (tipagem HLA, do inglês Human leukocyte antigens). São estas características que uma vez introduzidas no sistema informático vão seleccionar o melhor receptor, tendo ainda em conta outros parâmetros como o tempo em lista de espera, a idade ou a urgência médica, todos eles legalmente estabelecidos.

O computador fornece então a lista dos possíveis receptores para os rins daquele dador cadáver e os técnicos de urgência vão descongelar os soros de cada possível receptor, guardados na nossa Seroteca. Estes soros servem para fazer uma prova cruzada com as células do dador, a fim de excluírem anticorpos que possam causar uma rejeição imediata do enxerto. Uma vez feita a prova cruzada são então comunicados à Unidade de Transplantação onde o doente está inscrito todos os resultados e esta comunica com o doente para que a transplantação possa ocorrer.

Para além da informatização garantir em si mesma a transparência a este processo, todos os passos analíticos e processuais ficam registados.

 A doença renal crónica é uma patologia progressiva, com elevada taxa de mortalidade, que ameaça tornar-se num grave problema de saúde pública com implicações sérias no Serviço Nacional de Saúde.

 

O número de dadores de órgãos é ainda muito menor do que a necessidade. Ainda que Portugal seja dos países europeus com maior taxa de doação de órgãos, este número continua a ser insuficiente para as solicitações necessárias. O processo de doação de órgãos suscita muitas dúvidas que devem ser esclarecidas.

 

 

Riscos e complicações relacionados com a intervenção cirúrgica

É habitual que, durante e após a intervenção cirúrgica, se coloque um tubo de drenagem junto à ferida operatória e uma algália que se mantêm durante vários dias.

A emissão de urina é imediata em algumas ocasiões mas, em outras, pode demorar vários dias, o que implicará realizar uma ou mais sessões de diálise pós-operatórias.

Por vezes, apesar de uma seleção e técnica cirúrgica adequadas, surgem diversas complicações. Algumas delas são comuns a qualquer intervenção e outras são específicas do procedimento de transplantação renal:

  • Para a intervenção é imprescindível colocar um tubo na traqueia através da garganta. Como consequência, pode ocorrer disfonia (alterações da voz), inflamação das zonas em que se coloca o referido tubo, fratura de alguma peça dentária, etc. Muito raramente, podem vir a ocorrer dificuldades respiratórias ou ser necessária uma ulterior intervenção cirúrgica para corrigir lesões nesta zona.

  • Durante a intervenção ou imediatamente após podem ocorrer alterações da pressão arterial, do ritmo ou do funcionamento cardíaco que necessitem de imediato tratamento.

  • Durante a transplantação, pode ser necessário efetuar algum tipo de transfusão (glóbulos vermelhos, plaquetas, plasma). Estes componentes do sangue provêm de doadores saudáveis que não recebem compensação alguma pela doação. Cada amostra é exaustivamente estudada para detetar a eventual presença dos agentes infeciosos das hepatites B e C, da sífilis e do VIH. Muito raramente, e apesar desses sistemáticos cuidados, há a diminuta possibilidade de os dadores serem “falsos negativos”, isto é, a pesquisa ser negativa apesar da pessoa ser portadora de um daqueles microrganismos. Portanto, não existe a garantia absoluta de que o sangue e os seus componentes não lhe transmitirão aquelas doenças infeciosas, bem como, hipoteticamente, outras hoje ainda não conhecidas. Outro risco da transfusão é a ocorrência de reações alérgicas que, na grande maioria dos casos, são leves (febre, tremores…), mas que, excecionalmente, podem ser graves.

  • Pode ser impossível concluir com êxito a implantação do rim por impossibilidade técnica.

  • Podem ocorrer reações alérgicas a medicamentos.

  • Complicações da ferida operatória como infeções, hérnias, etc., algumas das quais podem requerer nova intervenção cirúrgica.

  • Complicações devidas à abertura da cavidade abdominal, como paralisação temporária do trânsito intestinal, infeções, perfuração intestinal, etc., que, embora raramente, podem vir a colocar a necessidade de recorrer a nova intervenção cirúrgica para a sua correção.

  • Complicações nas artérias e nas veias intervencionadas que podem implicar atuações especiais para a sua correção. Estas complicações podem afetar, em grau variável, o funcionamento do transplante: a trombose da artéria ou da veia do rim pode levar à sua perda definitiva; a trombose das veias ilíacas ou do membro inferior torna necessários cuidados especiais para limitar os seus ricos.

  • Coleções de líquido ao redor do rim que podem necessitar drenagem.

  • Infeções pulmonares, urinárias ou de outras localizações que podem ser provocadas por diversos microrganismos e cuja gravidade é, em geral, maior do que em outro tipo de doentes, dada a necessidade de instituir tratamentos que diminuem as defesas naturais do organismo e que se destinam a reduzir o risco de rejeição do rim transplantado.

 

Pós-Transplante

Independentemente da origem do rim que receber, o procedimento cirúrgico é o mesmo. Na colocação do novo rim, não será necessário retirar os outros. A cirurgia é considerada de risco na qual o rim é colocado na região abdominal direita ou esquerda. Tem uma duração em média 4 horas, é realizada no Bloco Operatório sob anestesia geral.

Ao fim de algumas horas, começará a urinar e para isso irá permanecer uma sonda vesical durante alguns dias. Em raras circunstancias, pode mesmo não chegar a funcionar. Poderá precisar de alguma diálise  enquanto espera que o rim transplantado comece a funcionar corretamente.


As primeiras horas são as mais importantes na evolução do rim. Para a prevenção de complicações será necessária a administração de medicamentos específicos ( medicação anti-rejeição) para prevenir que o seu organismo rejeite o novo rim, por vezes, nem estes medicamentos conseguem evitar a rejeição. Estes medicamentos podem ter efeitos  adversos indesejáveis – os mais comum são a fragilização do sistema imunitário ( menor capacidade de combater infeções, aumento de peso, hipertensão, aumento do colesterol. Apesar de comuns, existem alguns doentes, que apresentam pouco ou nenhuns destes problemas.

No entanto, será acompanhado por uma equipa de profissionais que o ajudarão a esclarecer todas as suas questões e dúvidas.

O período de hospitalização é de uma ou duas semanas. Após a alta, terá que voltar regularmente à unidade de transplante para consultas de acompanhamento é de uma ou duas semanas.

É importante que conheça o nome dos medicamentos que irão fazer parte da sua vida! Para que o seu rim funcione sem complicações.

 

Dr. Fernando Macário; O Transplante - permite melhor qualidade de vida

 

As possiveis complicações

A transplantação renal acarreta outros riscos e complicações que não estão relacionados com o ato cirúrgico nem com a anestesia, mas que são inerentes à colocação dentro do seu organismo de um órgão que lhe é estranho. As principais complicações que podem ocorrer no transplante renal são:

  • A Infeção - O transplante é um processo complexo, que envolve procedimentos e a administração de medicamentos específicos. Tudo isto leva a que fique mais sensível ao aparecimento de infeções. Estas podem ser graves e prejudicar a função do novo rim. A adoção de medidas simples e as orientações da equipa, poderão a ajudar a prevenir o seu aparecimento.

  • A Rejeição - A colocação do rim é um processo complexo de cirurgia, embora raro, poderá acontecer que o organismo não aceite esse órgão, rejeitando-o. Rejeição Aguda é a causa mais frequente de perda do enxerto no período inicial do transplante, enquanto que, a longo prazo, é a nefropatia crónica do enxerto (rejeição crónica). A rejeição pode ocorrer durante ou imediatamente após a transplantação, nas primeiras semanas ou ao longo de toda a evolução e pode ser de intensidade variável, embora o mais frequente é que ocorra nos primeiros 6 meses. Para efetuar o diagnóstico de rejeição é necessário biopsar, uma ou várias vezes, o transplante. A realização da biópsia pode dar lugar a complicações como: hematomas, hematúria (eliminação de sangue na urina), obstrução do rim pela formação de coágulos nas vias urinárias e, em casos extremos, rutura renal. Apesar do tratamento desta complicação, o rim pode não melhorar levando à perda de função e à necessidade de regressar à diálise. Em algumas circunstâncias, é necessário remover o rim transplantado. Atualmente, devido aos avanços da medicina, existem medicamentos que travam a rejeição. É fundamental que nunca deixe de tomar a sua medicação, prescrita pelo seu médico nefrologista. Se a rejeição do Rim ocorre, o doente volta à Diálise e pode inscrever-se novamente para um novo transplante.

 

  • Doenças Cardiacas e Vasculares - É frequente a hipertensão arterial e o aumento das gorduras no sangue (colesterol), ( triglicerídeos) após o transplante renal.

  • Tumores - A probabilidade de surgir uma neoplasia maligna (cancro) após a transplantação renal é superior à da população em geral. O risco de tumores na pele, aumenta após o transplante. Deverá ter cuidado com a exposição solar , não esquecer sempre de usar protetores solares.

  • Obesidade - Após o transplante renal o apetite aumenta, o que em alguns casos conduz em aumento de peso corporal  e obesidade.

 

Estas complicações podem, na sua maioria, ser tratadas, mas algumas podem pôr em perigo a sua vida e/ou a função do transplante. É muito importante que, para prevenir e combater as complicações anteriormente referidas, siga adequadamente as indicações que lhe forem sendo transmitidas. Deve cumprir estritamente a medicação que lhe for indicada, pois disso dependerá, em grande medida, o seu futuro e o do transplante.

 

Recomendações gerais

  • no início do transplante é importante a restrição do numero de visitas de familiares e amigos;

  • manter-se afastado de pessoas portadoras de alguma infeção;

  • usar mascara nos primeiros dias de acordo com o ensino da Unidade de Transplante;

  • conservar a casa limpa e arejada;

  • lavar as mãos frequentemente;

  • seguir a dieta prescrita;

  • registar o valor dos sinais vitais e peso diariamente, comunicar se houver alterações;

  • fazer um controle dos líquidos ingeridos e urina eliminada;

  • realizar exercício físico (caminhada e bicicleta de preferência), sem excessos;

  • usar protetor solar ao sair de casa;

  • nunca suspender medicação imunosupressora;

  •  nunca fazer automedicação;

  • qualquer sinal ou sintoma deve comunicar com o médico.

 

É ainda importante saber que

  • Cartão de identificação – onde deve constar a sua condição de transplantado, a medicação que toma e os números de telefone da Unidade que pode contactar caso necessite;

  • Calendário de vacinação - deve ter o calendário atualizado, no entanto, antes de tomar uma vacina deve contactar o médico;

  • Actividade sexual – o retorno à vida sexual activa pode ser feito a partir das seis a oito semanas pós transplante, evitando posições que provoquem dor e deve adotar um método anticoncecional já que não são aconselhadas gestações no primeiro ano de transplante;

  • Fumar, álcool ou outras drogas – são hábitos que prejudicam a saúde sendo totalmente desaconselhados no pós-transplante.

 

SINAIS E SINTOMAS DE ALERTA

Sintomas de rejeição

  • febre acima de 38º C;

  • inchaço;

  • diminuição do volume de urina;

  • tensão arterial alta;

  • dor no local do enxerto;

  • dor no corpo e nas articulações.

 

Sintomas de infeção

  • febre acima de 38º C;

  • secreção, dor, calor e inchaço no local do enxerto;

  • urina turva;

  • dor para urinar;

  • placas brancas na língua;

  • falta de ar;

  • cansaço extremo.

 

NA PRESENÇA DE ALGUNS DESTES SINTOMAS CONTACTE A UNIDADE DE TRANSPLANTE

 

Se tiver dúvidas ou precisar de esclarecer mais aprofundadamente este assunto fale com o seu Médico ou Enfermeiro/a.

Publicado: portaldadialise | 2016-07-10 14:15 Última atualização: 2016-07-10 14:15 Imagem: © Pixabay
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