Progressão da doença renal

Progressão da doença renal

 

É importante controlar a progressão da insuficiência renal. O nefrologista controla o nível da função renal, ouvindo as queixas que o doente refere e controlando algumas análises ao sangue e à urina, que permite compreender qual a percentagem de função renal ainda existe. Os resultados destes exames em conjunto com os sintomas referidos pelo doente, ajudam a compreender quando chegou o momento de iniciar diálise.

Quando a função renal é inferior a 10-15%, terá provavelmente de iniciar um tratamento de diálise, para substituir algumas das funções do rim saudável. Ainda que os rins filtrem um pouco de líquido e impurezas e produzam urina, isto não é suficiente para que se continue a sentir bem.

 

OS CINCO ESTÁDIOS DA DOENÇA RENAL CRÓNICA

Estádio 1-2: pode não dar por isso 

Durante os estadios 1-2, provavelmente poderá não se aperceber que a sua função renal se encontra diminuída. No entanto, se a sua doença já foi diagnosticada por um médico poderá já estar a tomar alguns medicamentos. É importante que a sua tensão arterial seja regularmente vigiada e controlada adequadamente. Se tiver diabetes, deverá verificar regularmente se os níveis de glicémia se encontram dentro dos limites. Conjuntamente com o seu médico, é possível manter a situação controlada. Diaverum

 

Estádio 3: necessidade de agir 

No estadio 3, a sua função renal reduziu entre 30 e 60 porcento a sua capacidade total. Deve estar em contacto com uma equipa clínica para avaliar regularmente a sua doença. Agora é extremamente importante o seguimento da sua doença e fazer todos os possíveis para abrandar a sua progressão. Neste estádio, o objectivo é retardar e, se possível, prevenir a progressão para os estadios 4 e 5. É provável que o médico lhe receite alguns medicamentos e poderá ter de seguir um programa de dieta e exercícios. Conjuntamente com o seu médico e equipa clínica, é necessário avaliar as consequências da sua doença e a possibilidade de iniciar tratamento de substituição renal.  Diaverum

 

Estádio 4-5: os seus rins já não conseguem fazer a sua função 

A falha renal ocorre quando os rins perderam cerca de 85 a 90 porcento da sua capacidade de filtração. O resultado é uma acumulação no sangue de resíduos, água e outras substâncias que podem ser perigosas. Quando a doença chega a este estadio avançado, poderá ter de iniciar um tratamento de substituição da função renal para sobreviver. Agora, tem de optar, pelo tratamento disponível e o mais adequado para si. Diaverum

 

 

ESTADIOS DRC DESCRIÇÃO DÉBITO DO FILTRADO GLOMERULAR (DFG) (ML/M/1,73M2)
RISCO ACRESCIDO Factores de risco para doença renal crónica (ex. diabetes, HTA, história familiar, idade avançada, grupos étnicos ou raciais)  
1 Alter. Urin. Assint. (ex: proteinuria) e DFG normal ou aumentado ≥ 90
2 IRC ligeira (diminuição ligeira do DFG) 60 to 89
3 IRC moderada (diminuição moderada do DFG) 30 to 59
4 IRC grave (diminuição severa do DFG) 15 to 29
5 Falência renal ou IRC terminal ou ESRD*(dependente de diálise,ou transplante renal) 15 to 29

 

Classificação da Doença Renal Crónica (DRC) / K/DOQI (2002) é corrigida posteriormente pela KDIGO (em 2004 e, mais recentemente, em 2012)

 

Independentemente da causa da DRC, a sua evolução para falência renal caracteriza-se por 2 sinais: proteinúria/microalbuminúria, essencialmente glomerular, e redução do filtrado glomerular.

 

Na Insuficiência renal os rins tornam-se menos capazes de executar funções. Uma vez atingida a DRC estadio 5, os rins são incapazes de processar a maioria dos produtos residuais metabólicos que são produzidos. Os doentes que se estão a aproximar da DRC estadio 5 podem ter de se submeter a uma dieta e a uma terapêutica medicamentosa para tratar certos sintomas.

O líquido das bebidas e dos alimentos não consegue ser removido pelo organismo. Por isso, acumula-se, provocando vários sintomas: dispneia,(porque parte do líquido excedente se encontra no tecido pulmonar); aumento de peso frequentemente, com edemas periféricos. O aumento de líquido implica um aumento do esforço do sistema cardiovascular, que normalmente se manifesta como uma subida da pressão arterial. A ingestão de líquidos através das bebidas e da dieta deve ser limitada, a fim de minimizar a sua acumulação.

Os produtos de degradação metabólica acumulam-se no organismo, provocando um aumento dos níveis séricos de ureia e creatinina e, consequentemente, certos sintomas bastante comuns: anorexia, náuseas, rush cutâneo, prurido, fadiga, cefaleias e dificuldade de concentração. Um sinal característico de uremia grave é a coloração café com leite da pele e líquidos através das bebidas e da dieta deve ser limitada, a fim de minimizar a sua acumulação.

A ureia é um dos principais produtos de degradação metabólica que observamos nos doentes com insuficiência renal. É o principal produto de degradação do metabolismo protéico. Por isso, à medida que as proteínas são metabolizadas, o nível de ureia no soro aumenta. A ureia só é produzida como resultado do metabolismo das proteínas. Também é um soluto fácil de analisar no sangue. Está uniformemente distribuída no sangue e só é excretada pelos rins. A sua cinética e movimento no organismo são simples e fáceis de compreender. Uma prática actualmente menos comum consiste em prescrever aos doentes com DRC estadio 5 uma dieta pobre em proteínas. Esta terapêutica reduz a acumulação de ureia e creatinina, mas também pode provocar malnutrição. Quando a função renal se deteriora, os ácidos acumulam-se e o nível de bicarbonato no plasma diminui abaixo do nível fisiológico. Inicialmente, é possível manter o pH do plasma através de hiperventilação, mas acaba por se desenvolver acidose metabólica

O potássio é o principal ião intracelular. É responsável pela manutenção do volume intracelular e é necessário para a actividade muscular e condutividade dos nervos porque tanto os níveis elevados como os níveis baixos causam arritmias. Na insuficiência renal, o potássio não é excretado e o seu nível no sangue aumenta à medida que é ingerido através da dieta. O potássio encontra-se frequentemente associado a alimentos ricos em proteínas, especialmente o leite, que contribuem significativamente para a ingestão diária desta substância. O potássio não é geralmente restringido até a produção de urina começar a diminuir. Por vezes, os diabéticos necessitam de uma restrição de potássio.

O cálcio encontra-se no sangue e nos ossos. A maior parte do cálcio presente no organismo está armazenado nos ossos. O cálcio é necessário para a formação dos ossos e o funcionamento correcto dos nervos e dos músculos. A quantidade total de cálcio no sangue depende da albumina. 50% do cálcio é ionizado, o que significa que se trata de cálcio livre e não ligado à albumina. O cálcio deve ser cuidadosamente controlado, para que os nervos, os músculos e o coração funcionem devidamente. Nos doentes com DRC estadio 4 e 5 os níveis de cálcio são frequentemente baixos, podendo causar problemas como: espasmos musculares, entorpecimento/formigueiro à volta da boca, confusão. O principal problema é que a falta de controlo pode provocar perturbações ósseas, bem como hiperparatiroidismo. Os níveis de cálcio não podem ser controlados pela dieta, dado que a absorção do cálcio pelos intestinos é normalmente afectada. São necessários fármacos e, em particular, vitamina D.

O sódio é o principal ião extracelular. Mantém o volume de líquido extracelular e é necessário para a condução dos impulsos nervosos e contracções musculares. Como o sódio afecta o volume de líquido extracelular, o nível baixo de sódio causa hipotensão. Devido ao seu efeito sobre os nervos e os músculos, um nível de sódio baixo também causa cãibras, debilidade generalizada e perturbações neurológicas. Demasiado sal provoca demasiada sede, dificuldade em cumprir a restrição de líquidos, risco de líquidos em excesso, hipertensão e aumento do esforço do sistema cardiovascular. A restrição de sódio depende do tipo de doença renal, da tensão arterial, do estado de volemia e da produção de urina, assim como a situação cardíaca do doente. No entanto, o sódio deve ser restringido e não removido da dieta.

A diálise tem por objectivo substituir as funções excretoras do rim através da: remoção do líquido em excesso, correcção dos desequilíbrios electrolíticos, correcção dos desequilíbrios ácido-base, remoção dos produtos de degradação que são tóxicos para o doente (toxinas urémicas).

Os doentes com DRC no estadio 5 estão propensos a hipertensão devido aos níveis de sódio e à acumulação de líquidos. No entanto, essa não é a única razão para os doentes terem problemas de regulação da pressão arterial. A DRC devida a certas patologias, como a arteriosclerose ou a glomerulonefrite, pode destruir grandes porções de tecido renal, o que tem como resultado a hipertensão. A insuficiência renal pode levar ao aumento na produção de renina, a qual hidrolisa uma das proteínas sanguíneas para produzir a angiotensina. Uma vez produzida, a angiotensina tende a aumentar a pressão arterial, por contracção das arteríolas. Assim, os insuficientes renais sofrem frequentemente de hipertensão. Esta é normalmente compensada com medicamentos anti-hipertensores, assim como com uma restrição de líquidos e de sódio.

Na insuficiência renal, o organismo produz quantidades de eritropoietina insuficientes para manter os níveis de eritrócitos, o que resulta em anemia e em baixos níveis de oxigénio no sangue (hipoxia), que afectam muitos órgãos. Normalmente, o organismo produz mais eritropoietina, como resposta à hipoxia, mas tal não é possível nos doentes com insuficiência renal. A anemia da insuficiência renal crónica desenvolve-se e persiste. Muitos sintomas da insuficiência renal crónica agravam-se com a anemia, devido ao seu impacto sobre diversos órgãos do organismo. Os doentes sofrem de letargia, diminuição da tolerância ao exercício, alteração dos padrões de sono, diminuição da cognição e disfunção sexual. Em geral, a capacidade do doente para executar as tarefas do dia a dia diminui significativamente. A anemia desenvolve-se geralmente de forma gradual e, por isso, podem ser tolerados níveis de hemoglobina inferiores a 10 g/dl. Os doentes podem não referir os sintomas de anemia e/ou adaptar a sua vida diária de modo a compensar a diminuição dos níveis de energia, enquanto se tornam cada vez mais incapacitados. Por vezes, as intervenções só ocorrem quando os doentes já estão obviamente sintomáticos. A terapêutica de substituição com EPO é mais eficaz se for iniciada antes do desenvolvimento de sintomas. Antes do tratamento, a pressão arterial devia ser avaliada e controlada se estiver alta. As reservas de ferro também devem ser avaliadas, administrando-se, se necessário, um suplemento de ferro. Nos doentes pré-diálise, a EPO é normalmente administrada por via subcutânea, na coxa ou no abdómen. Com as novas EPO, a administração pode ser apenas necessária uma vez por semana ou de duas em duas semanas. - Diaverum

O fósforo é um mineral. Existem grandes quantidades tanto de cálcio como de fósforo nos ossos. O cálcio e o fósforo (Ca/P), que estão cuidadosamente equilibrados nos indivíduos saudáveis, são seriamente afectados pela insuficiência renal: o fósforo acumula-se (hiperfosfatemia), provocando uma diminuição dos níveis de cálcio (hipocalcemia). A pele pruriginosa e os olhos vermelhos são sinais precoces de um nível de fósforo demasiado elevado.

Na doença renal crónica os rins deixam de ser capazes de metabolizar a vitamina D. O organismo utiliza a vitamina D para manter o cálcio e o fósforo equilibrados e para absorver o cálcio no intestino. A síntese e a secreção da hormona paratiroideia PTH também é afectada pela vitamina D. A PTH é secretada em resposta a um nível de cálcio baixo, como forma de indicar ao rim para produzir mais vitamina D. Se a PTH for elevada, o cálcio é retirado do osso. Os episódios fisiológicos que contrabalançam esta situação acabam por provocar doença óssea, isto é descalcificação do tecido ósseo (osteodistrofia), que dá origem a fragilidade óssea. O distúrbio do equilíbrio Ca/P pode ser compensado de diferentes formas. A dieta não deve conter quantidades de fósforo excessivas. São prescritos fármacos como o carbonato de cálcio. A vitamina D activa, em comprimidos ou injectável, estimula a absorção do cálcio pelo intestino. Embora em diálise o equilíbrio possa ser mais controlado, mesmo assim trata-se de um desafio difícil. - Diaverum

 

Como se manifesta:

  • Fadiga.

  • Mau hálito, mau sabor na boca.

  • Perda de apeite.

  • Falta de ar ou respiração ofegante.

  • Dificuldade em dormir.

  • Dores ósseas difusas.

  • Perda de peso.

  • Edema dos tornozelos, pés, mãos, em torno dos olhos.

  • Náuseas e vómitos.

  • Cãibras nas pernas, espcialmente de noite.

  • Debilidade.

 

O conjunto destes sintomas é designado por uremia. Ao iniciar o tratamento da substituição da função renal (diálise), os sintomas desaparecem. Se não iniciar, tendem a agravar-se progressivamente. Este estado não tratado leva à morte. Deve iniciar diálise quando o seu médico recomendar, seguramente antes de sentir-se mal. Tome sempre todos os medicamentos prescritos, e siga dieta recomendada. Se é diabético, controle o nível de glucose no sangue e controle a sua tensão arterial.

 

AS MEDIDAS DE PREVENÇÃO INDICADAS PODEM AJUDAR A PROTEGER OS RINS E A PRESERVAR A SUA FUNÇÃO

O que posso fazer?

  • Deixe de fumar.

  • Reduza o consumo de álcool.

  • Fazer exercício regular.

  • Fazer uma alimentação variada, com alimentos frescos, rica em vegetais e frutos, pobres em gorduras, sem excesso de proteínas e pouco sal.

  • Consulte o seu médico regularmente.

  • Tome todos os medicamentos receitados pelo médico.

  • Reveja os medicamentos para garantir que lhe receitam aqueles que menos afetam os rins.

 

Uma vez atingida a DRC estadio 5, os rins são incapazes de processar a maioria dos produtos residuais metabólicos que são produzidos. Os doentes que se estão a aproximar da DRC estadio 5 podem ter de se submeter a uma dieta e a uma terapêutica medicamentosa para tratar certos sintomas.

Publicado: portaldadialise | 2016-07-10 14:15 Última atualização: 2016-07-10 14:15 Imagem: © Shutterstock
Partilhar: